Entre sacrifícios e grandes cliques: fotógrafo de Assis realiza o sonho de cobrir a Copa do Mundo
Com investimento superior a R$ 30 mil, Paulo Henrique registra os maiores craques do futebol mundial
Enquanto milhões de torcedores acompanham a Copa do Mundo pela televisão, um profissional de Assis vive o torneio a poucos metros dos principais jogadores do planeta. O fotógrafo esportivo Paulo Henrique Dias transformou um antigo sonho em realidade ao conquistar o credenciamento para registrar a maior competição do futebol diretamente dos estádios norte-americanos.
Por trás das imagens que eternizam gols, comemorações e grandes estrelas do futebol, porém, existe uma rotina de muito trabalho, longos deslocamentos, dificuldades com o idioma e um investimento que já ultrapassa R$ 30 mil. Um preço alto, que, segundo ele, é pequeno diante da oportunidade de viver a maior experiência de sua carreira.
Acostumado a fotografar partidas do VOCEM e outros eventos esportivos da região, Paulo jamais imaginou que um dia estaria atrás do gol esperando o momento em que Vinícius Júnior, Kylian Mbappé ou Erling Haaland comemorassem diante de sua lente.

E foi exatamente isso que aconteceu.
Na estreia da Seleção Brasileira, Vinícius Júnior marcou e correu para comemorar praticamente em frente ao fotógrafo assisense. Em outras partidas, Paulo também registrou de muito perto gols de Mbappé, Haaland e Michael Olise.
"Cada jogo me marcou de uma forma. No jogo do Brasil foi o Vinícius comemorando na minha frente. Depois vieram o Mbappé, o Haaland e o Olise. A gente escolhe um lugar para trabalhar antes da partida e permanece ali durante todo o jogo. Felizmente, esses momentos aconteceram bem na minha frente."

Segundo ele, essa sequência de registros faz até surgir uma brincadeira entre os colegas.
"Tenho sido pé-quente."
Um sonho que exigiu planejamento
Realizar esse projeto exigiu um grande esforço financeiro. Entre passagens, hospedagem, alimentação e deslocamentos internos, Paulo estima que os gastos já ultrapassam R$ 30 mil.
Mesmo assim, a rotina é bastante econômica.

"Estou vivendo o básico do básico. Fico em uma casa de temporada, ando de transporte público e compro comida no mercado. Se fosse fazer essa viagem com mais conforto, acredito que o custo passaria facilmente dos R$ 60 mil."
Segundo o fotógrafo relatou ao portal Abordagem Notícias, o alto custo da competição é assunto até entre os próprios moradores dos Estados Unidos.
"Além da conversão da moeda, tudo está muito caro. Eles mesmos comentam que esta está sendo uma das Copas mais caras da história."

Para complementar o orçamento, Paulo rifou uma camisa do Santos autografada por Neymar e um par de luvas assinadas pelo goleiro Ederson. A campanha vendeu mais de 150 números e ajudou a financiar parte da viagem.
Maratona longe dos gramados
O trabalho começa muito antes do apito inicial e termina bem depois do encerramento das partidas.
Quando não está fotografando, Paulo passa horas dentro de ônibus e do transporte público para chegar às cidades que recebem os jogos.
Para a Filadélfia, por exemplo, são cerca de duas horas de ônibus e mais 40 minutos de transporte público. A viagem até Boston exige aproximadamente seis horas de ônibus, além dos deslocamentos urbanos.
Mesmo com o apoio logístico da FIFA, o benefício só vale entre hotéis credenciados e os estádios.

"A gente precisa chegar até esses hotéis por conta própria. Todo esse deslocamento faz parte da rotina."
A sequência de jogos também cobra seu preço.
"Quando chego em casa, tento desligar um pouco, dormir e descansar. Nem estou saindo para passear, porque dia de jogo é muito desgastante. Até agora estava sendo praticamente um dia sim e um dia não."

Barreira do idioma
Outro desafio é a comunicação.
Sem falar inglês ou espanhol, Paulo precisou recorrer à criatividade para resolver situações do dia a dia.
"O brasileiro sempre dá um jeito. Às vezes uso o celular para traduzir, mas nem sempre é fácil. As pessoas aqui são mais reservadas, então a adaptação acaba sendo um desafio."

Uma oportunidade insperada
O credenciamento foi conquistado após um rigoroso processo junto à FIFA e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Inicialmente, Paulo pretendia trabalhar apenas na Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil. Incentivado pela esposa, decidiu tentar também uma vaga para a competição masculina.
"Ela perguntou por que eu não fazia a inscrição. Resolvi tentar, mas sinceramente não imaginava que seria aprovado. Foi um processo burocrático, com muitos documentos e várias etapas."
Hoje, entre um estádio e outro, Paulo coleciona imagens que dificilmente esquecerá. E a cada gol comemorado diante de sua câmera, reforça a certeza de que os quilômetros percorridos, os sacrifícios financeiros e o cansaço fazem parte de uma história que começou em Assis e ganhou o mundo.




Fonte: Da Redação
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