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ARTIGO • 20/07/2023

Sexualidade de pessoas com Síndrome de Down: desejos e individualidades devem ser respeitados

Debate aberto entre as famílias e a sociedade é a melhor solução contra o preconceito e a desinforma

Sexualidade de pessoas com Síndrome de Down: desejos e individualidades devem ser respeitados

A sexualidade das pessoas com síndrome de Down ainda é um tabu para a sociedade. Apesar do aumento da expectativa de vida, da melhoria dos indicadores de saúde e da gradativa inclusão social, o sexo ainda é um assunto pouco debatido ou visto com preconceito até mesmo pelas famílias. Nícolas Cayres, ginecologista e professor do curso de Medicina do CEUB ( Centro Universitário de Brasília), esclarece que – apesar desses indivíduos terem graus variados de déficit cognitivo, dependência e infantilidade – os hormônios seguem em pleno desenvolvimento. 

 
O especialista explica que o surgimento da curiosidade e do desejo acontece para eles naturalmente, como para qualquer outro jovem e adolescente. “Isso implica que a questão reprodutiva e sexual é algo que não pode ser ignorado. Apesar de muitas famílias sequer tocarem neste assunto”, comenta Nícolas. No mês Internacional da Síndrome de Down, o CEUB compartilha análises de especialistas que buscam ampliar o debate sobre as particularidades e necessidades dessa população ainda bastante invisibilizada no país. 
 
Um dos mitos mais difundidos é o da hipersexualização das pessoas com Down. “A frequência da masturbação para o Down pode ser compreendida como um reflexo da falta de atividades, sobretudo prazerosas. Isto não significa, portanto, que eles tenham necessidades sexuais exageradas, mas sim uma restrição a outras fontes de prazer e alegria”, comenta o professor do CEUB. “Além disso, aqueles que são muito dependentes, dificilmente chegarão a praticar sexo, podendo a masturbação vir a ser a única forma de expressão sexual”, acrescenta Cayres.

O professor indica como melhor caminho trabalhar atitudes que eduquem para uma sexualidade saudável. “A depender do grau de déficit cognitivo, pode ser interessante o uso de contraceptivos, pois muitas garotas com Down podem levar uma vida bem próxima do normal, chegando a namorar e casar. A escolha de método e via de administração deve ser feita de forma individualizada, juntamente com o ginecologista, levando-se em conta o perfil da paciente”, comenta o professor. “Se você tem um filho com Down, não ignore suas necessidades”, acrescenta. 

Nícolas Cayres, ginecologista e professor do curso de Medicina do CEUB


 
Orientações para pais de pessoas com Down:
 
• A sexualidade é algo natural e acontece para as pessoas com síndrome de Down do mesmo modo que acontece para os demais jovens e adolescentes. 
• É importante compreender que o sexo é uma necessidade de todo ser humano. As pessoas com Down precisam ser respeitadas na sua individualidade e no seu desejo.
• A melhor prática é a educação sexual. Conversar e orientar sobre o corpo e partes íntimas que não devem ser tocadas por estranhos. 
• No caso das meninas, o acompanhamento regular do ginecologista após o início da puberdade é fundamental. 
• É importante um debate aberto entre as famílias, os médicos e as pessoas com Down sobre o método contraceptivo mais indicado para cada caso.




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