Luto na cultura ourinhense Artista plástica Irene Koga morre aos 81 anos
Irene Koga fazia parte do Conselho de Mantenedores da FEMM - Fundação Educacional Miguel Mofarrej.
Ourinhos perdeu esta semana, um grande nome das Artes Plásticas: Irene Koga. Reconhecida pelo seu talento como artista plástica e sensibilidade como ser humano, Irene deixou um extraordinário acervo cultural e obras espalhadas pelo Brasil e exterior.
Irene Koga fazia parte do Conselho de Mantenedores da Fundação Educacional Miguel Mofarrej (FEMM), mantenedora do Centro Universitário de Ourinhos – UNIFIO e do Colégio Santo Antônio, participando ativamente de todas as assembléias e eventos realizados pela FEMM, desde o falecimento de seu marido, o saudoso empresário Keniche Koga, um dos instituidores da Fundação Mofarrej.
O presidente da FEMM Roque Quagliato, a vice-presidente Beatriz Quagliato Porto, a reitora do UNIFIO e diretora executiva da FEMM Gláucia Librelato, a diretora do CSA Narda Jorosky e o gerente administrativo Adriano Santos, expressaram pesar pelo falecimento de Irene Koga, ressaltando sua importante participação como mantenedora da instituição e sua trajetória de vida, especialmente como artista plástica.

Artista plástica, Irene deixa obras espalhadas pelo mundo - Foto: Divulgação
Trajetória de vida
Cidadã Ourinhense com título outorgado pela Câmara Municipal em 2011, Irene Koga nasceu em Santo Antônio da Platina (PR) e sempre se destacou por sua criatividade e um olhar aguçado para as cores. Aos 12 anos já esboçava seus primeiros quadros, indicando o começo de uma carreira que perduraria marcando gerações. Foi uma das primeiras artistas de cenário e maquiagem da pioneira TV Tupi, na qual teve a oportunidade de conhecer e trabalhar com grandes nomes da cultura e teledramaturgia como Hebe Camargo, Vânia Bastos, Neide Tomas, Dionísio Azevedo, Nuno Leal Maia, Rosa Maria Murtinho e Mauro Mendonça, dentre outros.
Além de ter sido enfermeira de Assis Chateaubriand em seus anos finais na década de 1960, Irene migrava pelas mais diversas áreas de conhecimento, com uma vida inteira dedicada a cultura, a arte, a filantropia e por último, mas não menos importante, a política. Tendo sido uma das manifestantes mais proativas durante o primeiro encontro do Partido dos Trabalhadores em Ourinhos, na década de 90, inclusive presenteando com uma de suas obras o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Alguns de seus trabalhos mais importantes foram realizados durante seu período no renomado grupo Orelha de Van Gogh, ao lado de grandes artistas como o excepcional mentor, Gilberto Macrina, o grupo realizava reuniões semanais, participando de exposições em diversos espaços culturais e galerias em São Paulo, como na Casa da Cultura de Embú. Seus quadros se encontram na casa de ilustres nomes como Jô Soares, Nei Gonçalves Dias, Alceste de Macedo, quanto nas maiores galerias da capital paranaense. Conquistou um dos maiores prêmios de sua carreira, o Prêmio Qualitá de 2006, sendo homenageada como grande dama das artes plásticas.
Em seus trabalhos voluntários, arrecadações e doações de quadros foram feitas para ajudar pessoas em vulnerabilidade social em seu longo período morando em Curitiba, ao lado de seu filho também artista e cantor, o saudoso Marcelo Koga, com ajuda do lendário cantor Ray Conniff, permitindo que sua carreira marcasse não somente a história Ourinhense, mas também seu lugar como artista no mundo. Com direito a exposições no tapete vermelho em Paris, Irene Koga foi premiada mundo a fora, seu nome sempre estará eternizado nos mais importantes livros de arte.
Um de seus feitos mais importantes que marcou não somente sua vida, mas Ourinhos e Região, foi sua famosa Greve de Fome, realizada na praça Mello Peixoto sob uma árvore centenária em busca das Pequenas Causas, algo que não se era dito no sistema judiciário brasileiro até então, quão pouco para Ourinhos. Pelo fim da burocracia na justiça, Irene manteve-se firme durante outubro de 1994, promovendo uma atenção nacional para sua causa, trazendo jornalistas da Globo para entrevistá-la e movimentando milhares de pessoas, arrecadando sozinha mais de 3 mil assinaturas, para levar seu manifesto de uma justiça mais rápida e eficiente para o Congresso Nacional. Consequentemente, seu movimento ganhou a proporção necessária para hoje termos as Pequenas Causas, além de direitos para idosos e crianças.
Dessa forma, em 2011 foi inevitável que recebesse da Câmara Legislativa a honraria do título de “Cidadã Ourinhense”, reconhecendo seu papel em serviços prestados ao munícipio em educação e cultura, além de sua luta por melhores condições a população.
Durante toda sua carreira, Irene Koga, foi muito mais que a grande artista que todos conhecem, mas também uma esposa dedicada do também reconhecido em Ourinhos por sua famosa retifica de motores, Kenichi Koga, filho de imigrantes japoneses que vieram em um dos primeiros navios rumo ao Brasil, chamado Kasato Maru. Ao lado de seu marido, Irene construiu uma família sendo uma grande mulher, digna de exemplo e uma mãe atenciosa para seus três filhos, Marcelo, Rúbia e Pedro.
Após tantos anos na ativa, durante seus últimos anos pintando, não parou de exercer seu trabalho voluntário, ensinando alunos da Associação de Assistência ao Deficiente Físico (AADF) a pintar em seu estúdio de artes no Campus do UNIFIO.
Fonte: Rose Pimentel Mader
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