Mulher quebra o silêncio e denuncia assédio durante sessões de terapia em Assis
Paciente, hoje também psicóloga, afirma que outras vítimas podem existir.
O espaço terapêutico, tradicionalmente associado ao acolhimento e à escuta qualificada, nem sempre corresponde à expectativa de quem busca ajuda profissional. Nos últimos anos — sobretudo com a amplificação proporcionada pelas redes sociais — relatos de possíveis abusos em relações terapêuticas têm se tornado mais visíveis, revelando uma problemática delicada que pode aprofundar fragilidades emocionais de pacientes já vulneráveis.
Em Assis, uma psicóloga decidiu denunciar publicamente uma experiência que afirma ter vivido durante sessões de terapia com um profissional da área, quando ainda não havia concluído o curso. O caso foi formalizado por meio do Disque 100 e, segundo ela, até esta semana estava sob análise na Delegacia de Polícia de Paraguaçu Paulista.
A denunciante é Amanda Suzuki, de 25 anos, que afirma ter iniciado o processo terapêutico em dezembro de 2022. Os atendimentos, segundo ela, ocorreram de forma intermitente até janeiro de 2025, sempre em Assis.
Amanda relata que procurou a terapia para tratar questões pessoais, incluindo temas ligados à sexualidade e ao relacionamento afetivo que mantinha na época. Com o passar do tempo, porém, afirma ter percebido comportamentos que, em sua avaliação, ultrapassavam os limites éticos da relação entre terapeuta e paciente.
“Deixando claro que minha denúncia é em nome de todas as vítimas de todos esses anos que esse psicólogo atendeu.”, afirmou, demonstrando que conhece mulheres vítimas da mesma situação.
Segundo ela, algumas sessões terminavam com forte impacto emocional. Em um episódio ocorrido em um sábado de 2024, Amanda conta que saiu da sessão chorando pouco antes de iniciar um atendimento de estágio que realizava em uma universidade.
“Eu tinha um atendimento de estágio às 9 horas e saí do consultório chorando e me sentindo invalidada, porque ele disse para eu ‘parar de frescura’”, relatou.
Na época, ela cursava Psicologia e precisou seguir diretamente para o atendimento clínico de outra pessoa logo após deixar a sessão.
De acordo com Amanda, o episódio que mais a abalou emocionalmente ocorreu no último atendimento, realizado em 27 de janeiro de 2025. Na ocasião, ela afirma que discutia em terapia questões relacionadas à sexualidade e também mencionou contos que costumava escrever como hobby — atividade que, segundo ela, nunca mais conseguiu retomar após o ocorrido.
Durante essa sessão, Amanda relata que o terapeuta teria reagido de forma considerada inadequada ao conteúdo da conversa.
“Ele gemeu em sessão e disse: ‘Você não sabe o que está fazendo comigo’”, afirmou.
Segundo ela, naquele dia o atendimento ocorreu em um consultório diferente do habitual. Amanda conta que foi levada para uma sala no andar superior da clínica porque a esposa do profissional atenderia pacientes no térreo.
Ela afirma que não estava acostumada com o ambiente e que já se encontrava nervosa por abordar temas íntimos durante a terapia.
“Eu estava ansiosa e tremia, ainda mais falando de algo tão íntimo. E ele usou isso como argumento de que eu também tinha efeito sobre ele”, relatou.
Ainda conforme o relato, em outras ocasiões o profissional teria feito comentários que a deixavam desconfortável. Amanda afirma que ele atribuía problemas em seus ambientes de trabalho ao comportamento dela.
“Ele dizia que meus problemas nos empregos aconteciam porque eu seduzia os homens e, por isso, as mulheres passavam a me odiar”, contou.
Amanda também afirma que, durante sessões, o psicólogo fazia comentários generalizados sobre mulheres, classificando algumas como “loucas”, “agressivas” ou como pessoas que “odiavam homens”.
“Ele contava que algumas pacientes o bloqueavam nas redes sociais e watsapp e isso acontecia porque eram loucas”, relata.
Após decidir relatar o ocorrido, Amanda afirma ter tido contato com outras pessoas que teriam vivido situações semelhantes envolvendo o mesmo profissional. Esses relatos, porém, não foram oficialmente confirmados pelas autoridades.
Segundo ela, a decisão de registrar a denúncia foi tomada após refletir sobre os limites éticos que, em sua avaliação, teriam sido ultrapassados.
“Ele abusa e manipula até que as vítimas entrem em crise e precisem se defender”, declarou.
Amanda afirma que sua intenção ao tornar a história pública é estimular que outras possíveis vítimas também busquem apoio e formalizem denúncias caso tenham passado por experiências semelhantes.
Atualmente, ela também atua como psicóloga e realiza atendimentos na modalidade online.
O caso segue sob análise das autoridades competentes.
NOTA DA REDAÇÃO
Considerando que se trata de um relato em processo de apuração, o portal optou por não divulgar o nome do profissional citado, nem informações que possam levar à sua identificação. O espaço permanece aberto para manifestação ou esclarecimentos.
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