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ATELLIE DA MADEIRA
ASSIS-SP • 10/01/2026 às 09:18, atualizada em 10/01/2026 às 09:20

Justiça determina perícia íntima em réu do caso Mateus

Pedido foi feito após descoberta de fotos de cunho sexual em câmera.

Justiça determina perícia íntima em réu do caso Mateus

Aviso de conteúdo sensível: o texto a seguir aborda violência extrema, abuso sexual e morte de criança. A leitura pode causar desconforto. A reportagem é apresentada com finalidade estritamente jornalística, em razão do interesse público e da relevância judicial do caso, com extremo respeito à memória da vítima e à dor de seus familiares.

O caso do assassinato de Mateus Bernardo Valim de Oliveira, de 10 anos, em Assis, ganhou um novo e delicado desdobramento após a Justiça determinar a realização de uma perícia comparativa nos órgãos genitais do réu Luís Fernando Silla de Almeida, de 46 anos.

A decisão foi publicada no Diário Oficial depois que a defesa solicitou o exame, alegando possível incompatibilidade física entre o acusado e imagens encontradas em uma câmera fotográfica apreendida em sua residência.

De acordo com informações apuradas pelo Marília Notícia, as imagens são fortes e teriam sido feitas dentro do banheiro da casa de Almeida. As fotografias foram encontradas em uma câmera fotográfica apreendida no imóvel do assassino e mostram partes esquartejadas do corpo do menino em contato com o pênis do acusado, em cenas de cunho sexual.

Embora o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) tenha se manifestado contra o pedido, sob o argumento de que se trata de uma medida protelatória — já que as imagens foram encontradas em um aparelho de titularidade comprovada de Almeida e analisadas em perícia prévia do Instituto de Criminalística (IC) —, o juiz responsável decidiu acolher a solicitação.

Na decisão, o magistrado afirmou que, apesar do potencial atraso processual, a natureza extremamente sensível das acusações exige cautela máxima para evitar futuras alegações de cerceamento de defesa.

A Justiça esclareceu ainda que a perícia será exclusivamente visual, sem qualquer contato físico, e ficará sob responsabilidade do Instituto de Criminalística, que deverá analisar características externas visíveis, como formato, marcações, curvaturas e proporções, por meio de técnicas específicas de comparação de imagens e fotogrametria.

O Instituto Médico-Legal (IML) poderá auxiliar apenas de forma descritiva, caso seja necessário. A condução de Almeida até a unidade pericial será organizada diretamente entre o presídio e o IC. O juiz também respondeu a um pedido de esclarecimento feito pelo Instituto de Criminalística, que questionava se o exame deveria ser realizado pelo IML por envolver uma pessoa viva.

Na decisão, o magistrado ressaltou que a perícia não tem natureza clínica nem médico-legal, mas caráter estritamente comparativo entre fotografias e características anatômicas visíveis, o que a mantém dentro da área técnica e da competência do Instituto de Criminalística. Ele determinou urgência na execução do procedimento e autorizou eventual cooperação pontual entre os órgãos, se houver necessidade.

A determinação ocorre enquanto o processo principal segue suspenso. Em dezembro, a 6ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou a decisão de pronúncia que levaria o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri e determinou a abertura de um incidente de insanidade mental. O objetivo é avaliar se Almeida compreendia a ilicitude de seus atos no momento do crime. Somente após a conclusão desse laudo o processo poderá prosseguir. O exame está previsto para fevereiro.

Caso

O caso, que chocou Assis e toda a região pela brutalidade, teve início em 11 de dezembro de 2024, quando Mateus desapareceu após sair de casa para andar de bicicleta.

Imagens de câmeras de segurança mostraram o menino ao lado do vizinho Luís Fernando, que inicialmente omitiu o encontro e chegou a participar das buscas com a família. Com o avanço das investigações, a Polícia Civil acionou o Canil da Polícia Militar para realizar buscas em uma área de mata próxima ao Tênis Clube.

Em 18 de dezembro, o corpo do menino foi encontrado mutilado — sem cabeça e sem braços — em uma área de vegetação. Roupas foram reconhecidas pela mãe da vítima, e partes da bicicleta foram localizadas na casa do acusado ou escondidas em locais indicados por ele.

Após a prisão, Almeida chegou a confessar o crime, mas posteriormente negou. Inicialmente, ele teria afirmado que lançou partes do corpo da vítima em um lago, mas as condições da área e as chuvas impediram a localização dos restos mortais.

A Polícia Civil o indiciou por homicídio qualificado — por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e contra criança —, além de vilipêndio e ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. Durante as investigações, adolescentes também relataram tentativas de abuso sexual atribuídas ao assassino.

Com a suspensão do processo e a nova perícia em andamento, o caso segue em uma fase decisiva, reunindo elementos complexos que deverão ser analisados pela Justiça tanto para a definição da autoria e materialidade dos crimes quanto para a avaliação da sanidade, ou não, de Luís Fernando Silla de Almeida.

Fonte: Marília Noticia - Foto: Gilberto Moreira/TV Record

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