Quando a proteção acontece longe dos holofotes
O trabalho silencioso do Conselho Tutelar que sustenta a dignidade de crianças e adolescentes.
Existe um tipo de trabalho que quase nunca aparece. Não rende manchete, não gera aplauso público e, muitas vezes, só é lembrado quando algo dá errado. Mas é justamente esse trabalho que sustenta, em silêncio, uma das estruturas mais importantes de qualquer sociedade: a proteção da infância. Falo aqui do Conselho Tutelar.
Muita gente ainda não compreende o que faz um conselheiro tutelar. Não se trata de punição, nem de “tirar criança da família”. O Conselho existe para garantir direitos, intervir quando eles são violados e agir onde, muitas vezes, o poder público ainda não conseguiu chegar.
É o conselheiro que atende denúncias de negligência, acompanha casos de violência, articula com escola, saúde e assistência social e entra em contextos familiares delicados, tomando decisões com impacto direto na vida de crianças e adolescentes. E tudo isso, na maioria das vezes, longe de qualquer reconhecimento.
Nos últimos tempos, tive a oportunidade de me aproximar dessa realidade. E quanto mais conheço, mais respeito tenho por quem está nessa linha de frente.
São profissionais que lidam diariamente com situações complexas, muitas vezes sem estrutura adequada e suporte necessário e, ainda assim, seguem firmes por compromisso.
E é preciso dizer com clareza: o Conselho Tutelar ainda é uma das estruturas mais subvalorizadas do sistema público. Falta estrutura, suporte e reconhecimento e, muitas vezes, compreensão da própria sociedade. Ao mesmo tempo, é justo reconhecer quem olha para essa realidade com atenção.
A deputada federal Maria Rosas, por exemplo, tem contribuído para o fortalecimento dos Conselhos Tutelares, com a destinação de equipamentos e estrutura para diversas cidades, impactando diretamente a qualidade do atendimento. Foi por meio desse diálogo que também tive a oportunidade de conhecer mais de perto essa realidade.
Mais do que números, fica evidente a necessidade de olhar para o Conselho Tutelar como ele realmente é: uma peça central na proteção social.
E fica aqui uma reflexão, e também uma contribuição, para a atual gestão do município: fortalecer o Conselho Tutelar não é apenas cumprir uma obrigação legal, é investir diretamente na base da proteção às crianças e adolescentes. Garantir estrutura, condições de trabalho e respaldo institucional deve ser prioridade de qualquer gestão comprometida com o futuro da cidade.
Não existe política pública eficiente para crianças e adolescentes sem um Conselho Tutelar estruturado, valorizado e respeitado. Talvez esteja na hora de mudarmos a lógica.
Em vez de lembrar do Conselho apenas nas crises, precisamos reconhecê-lo no dia a dia, entender sua função e garantir condições reais de trabalho.
Porque, no fim, quando um Conselho Tutelar funciona bem, não é o conselheiro que ganha. É a criança. É a família. É a cidade inteira.
Rodrigo de Souza: Publicitário, mestre em Comunicação e defensor do fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção social e ao desenvolvimento comunitário.
Fonte: Por Rodrigo de Souza
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