Abordagem Notícias
ESCRITORIO ESCARAMBONI
POLÍCIA • 05/03/2026 às 17:29, atualizada em 05/03/2026 às 18:34

Após primeira denúncia, jovem relata caso envolvendo psicólogo e cita sentença judicial

Estudante afirma ter vencido ação por danos morais e diz que decidiu falar para evitar novas vítimas

Após primeira denúncia, jovem relata caso envolvendo psicólogo e cita sentença judicial

Após a publicação da reportagem com o relato da psicóloga Amanda Suzuki, divulgada na quarta-feira (4), denunciando assédio por parte do psicólogo com quem fazia terapia quando ainda não era formada, outra jovem procurou o portal Abordagem Notícias para relatar uma situação semelhante envolvendo o mesmo profissional citado anteriormente.

A estudante de Odontologia Gabrielly Pazinato, de 22 anos, afirmou à reportagem que também passou por experiências que considera inadequadas após ter sido paciente do psicólogo. Ao procurar a redação, segundo ela, o principal objetivo foi tornar o caso público para evitar que outras mulheres passem pela mesma situação.

Segundo Gabrielly, o caso chegou à Justiça e resultou em condenação por danos morais. A decisão foi proferida no processo nº 10xxx0-26.x0x5.8.x6.x0x7, que tramita na Vara do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Assis.

O novo relato surge após a repercussão da primeira reportagem publicada pelo portal, ampliando as informações sobre o caso envolvendo o mesmo profissional.

De acordo com Gabrielly, o acompanhamento terapêutico ocorreu entre o final de 2023 e o início de 2024, período em que buscou ajuda psicológica para lidar com crises emocionais e dificuldades em relacionamentos.

“Estava muito ansiosa e queria entender as coisas”, relatou.

Segundo a estudante, no início o profissional transmitia confiança.

“No começo ele aparentava ser um bom profissional. Eu gostava e tinha muita confiança nele”, disse.

Com o passar do tempo, porém, algumas situações começaram a gerar desconforto. A estudante afirma que, durante as próprias sessões de terapia, o psicólogo já apresentava comportamentos que ela considerava inadequados para o ambiente profissional. Segundo ela, além de conversas que fugiam completamente ao objetivo do atendimento terapêutico, também havia atitudes e comentários que a faziam se sentir constrangida e assediada.

De acordo com Gabrielly, o profissional frequentemente compartilhava detalhes de sua vida pessoal durante os atendimentos.

“Durante as sessões ele já se demonstrava inconveniente. Ficava falando sobre encontros pessoais que teve, contando detalhes de que havia dormido com uma mulher porque a ex-esposa dele não decidia o que queria”, afirmou.

Ela também relatou que o psicólogo fazia comentários negativos sobre outro profissional da área que já a havia atendido anteriormente e que, segundo relata, seria amigo dele.

Posteriormente, Gabrielly mudou-se de cidade para cursar Odontologia. Foi nesse período, segundo ela, que o psicólogo voltou a entrar em contato por meio das redes sociais, conforme os prints abaixo.

De acordo com o relato, o psicólogo passou a segui-la no Instagram, curtindo diversas publicações e acessando com frequência seu perfil no TikTok.

Mesmo diante dessas interações, Gabrielly afirma que inicialmente não suspeitou de qualquer intenção inadequada, justamente pela confiança que ainda mantinha no profissional.

“Eu tinha muita admiração e confiança nele. Era um profissional que eu recomendava para amigos”, contou.

Segundo a estudante, o cenário mudou após receber mensagens que, em sua avaliação, ultrapassariam os limites da relação entre terapeuta e paciente.

No processo judicial, consta que o profissional chegou a afirmar que era “uma tortura atendê-la, principalmente quando os decotes estavam confortáveis”, além de utilizar expressões como “delicinha” ao se referir à jovem.

Para a Justiça, esse tipo de abordagem objetificou a ex-paciente e violou a relação de confiança construída durante o período em que ela esteve em atendimento psicológico.

O caso foi levado ao Judiciário. Em decisão proferida pela Vara do Juizado Especial Cível e Criminal de Assis, a magistrada reconheceu que a conduta do profissional ultrapassou os limites éticos da relação terapêutica e condenou o psicólogo ao pagamento de R$ 8 mil por danos morais à jovem.

Na sentença, a juíza destacou que a relação entre psicólogo e paciente envolve uma confiança que não se encerra automaticamente com o término formal do atendimento.

“Mesmo após o término formal dos atendimentos, a assimetria de poder e a hipossuficiência emocional da ex-paciente não cessam abruptamente”, registrou a magistrada na decisão.

A decisão também ressalta que o profissional teve acesso à vulnerabilidade emocional da jovem durante o período de atendimento, o que cria uma relação de confiança que ultrapassa o aspecto meramente contratual da terapia.

Ainda segundo o processo, testemunha ouvida em juízo relatou que a jovem ficou emocionalmente abalada após receber as mensagens e chegou a procurar atendimento com outro profissional.

Gabrielly afirma que venceu a ação judicial, mas que o caso ainda possui desdobramentos.

“Ganhei, mas ele não se manifestou em pagar e a denúncia para o conselho não dá em nada. Então o meu advogado está dando continuidade no processo”, disse.

 

Nota da Redação

 

Por se tratar de denúncias em apuração, a reportagem optou por não divulgar o nome do profissional citado nem informações que possam levar à sua identificação.

A redação do portal Abordagem Notícias informa ainda que nesta quinta-feira enviou mensagem ao psicólogo por meio do aplicativo WhatsApp, oferecendo espaço para manifestação ou esclarecimentos sobre os fatos relatados. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno.

 

Fonte: Da Redação

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